segunda-feira, 16 de junho de 2014

Eduardo Campo nega especulação de saída de Marina Silva de sua chapa

O ex-governador de Pernambuco e presidenciável pelo PSB, Eduardo Campos, ressaltou em entrevista ao jornal tribuna da Bahia, que a sua maior diferença com o presidenciável tucano, o senador mineiro Aécio Neves (PDB) “é a possibilidade que nós temos de unir o Brasil. Nunca o Brasil passou por uma mudança importante dividido e a opção PSDB- PT é a opção que divide o Brasil entre o nós e eles que já cansou. Nós precisamos unir o Brasil em torno de uma nova agenda”, afirmou. Ele também negou a possibilidade da ex-senadora Marina Silva desistir da pré-candidatura a vice em sua chapa e se tornar apenas uma apoiadora da candidatura presidencial do PSB.

O socialista disse, ainda, que a candidatura da senadora Lídice da Mata ao Governo da Bahia – oficializada no último sábado (14) - apresenta uma nova alternativa para mudar “o futuro” do Estado, “acumulando os êxitos e corrigindo as falhas que estão presentes nos últimos anos e que as eleições de outubro mudarão o jeito de fazer política no Brasil.

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista publicada pelo jornal Tribuna da Bahia.

Tribuna da Bahia – A candidatura de Lídice oficializada. Foi difícil chegar aqui, já que a senadora era muito aliada ao PT? Qual a expectativa?

Eduardo Campos - Nossa expectativa é a melhor possível. Nós estamos apresentando uma alternativa para que a Bahia possa mudar o seu futuro, acumulando os êxitos e corrigindo as falhas que estão presentes nos últimos anos. É preciso enfrentar essa questão da insegurança, poder animar todo um processo de resgate da educação para que possa haver uma atenção, uma valorização do nosso professorado, que indique o caminho de uma educação formadora, libertadora, que possa se cuidar da infraestrutura trazendo o desenvolvimento em outro ritmo que a Bahia e o Brasil tanto reclamam, sendo uma gestão que possa dialogar com a sociedade, com o empresariado, os estudantes, os trabalhadores, enfim, a possibilidade de termos uma Bahia olhando pra frente e para o futuro. Um governo que compreenda o que está acontecendo no mundo e no Brasil, que perceba que a sociedade deseja governos cada vez mais abertos à participação e permeáveis às críticas. Um governo que valorize a competência, o mérito, que faça equipes efetivamente competentes e não equipes lastreadas, somente na base das indicações partidárias.

Tribuna - A candidata Lídice da Mata aparece nas pesquisas na segunda posição. O que fazer para torná-la competitiva e fazer chegar ao segundo turno, enfrentando as máquinas da prefeitura e do governo aliadas a outros candidatos?
Eduardo - Essa não será a eleição das máquinas. Essa será a eleição do desejo enorme do povo brasileiro de mudar o jeito de fazer política no Brasil. A sociedade brasileira está indignada com tanta coisa errada, com tanto abandono, com os partidos políticos que só cuidam dos seus interesses e não cuidam dos interesses efetivos de melhorar a qualidade de vida no país. Há na sociedade algo que é maior do que qualquer máquina, que é a indignação. Nós na Bahia temos as candidaturas que são exatamente as expressões dessa indignação. As candidaturas de Lídice e de Eliana Calmon são as possibilidades que nós temos de mandar o recado para a velha política e dizer que a sociedade resolveu mudar o Brasil e a Bahia também.

Tribuna - Como lidar com uma campanha em um estado tão grande como a Bahia com pouca estrutura?
Eduardo - Aí é acreditar na força do povo, nas ideias, acreditar numa nova plataforma de comunicação, na força do debate político, principalmente nas redes sociais, é acreditar no voto rebelado de jovens estudantes, frustrados com promessas que não foram cumpridas. É crer que as pessoas não vão terceirizar nestas eleições qual o rumo que querem ver na Bahia e no estado. Elas vão escolher. Na hora que o debate ocorrer não vai restar dúvida de quem pode mudar para o futuro é Lídice.

Tribuna - A senadora Lídice da Mata teve dificuldade para fechar alianças nesse período de pré-campanha. Esse é um prenúncio de maiores apertos?
Eduardo - Não. A campanha começa a ser feita e uma campanha diz muito como será o governo. Se você fizer uma campanha que abre mão de princípios, de valores para tempo de televisão, com certeza no futuro você não vai fazer um governo comprometido com a ética, com a eficiência, com o diálogo com a população, pois esse governo vai estar entregue desde antes as velhas práticas. Às vezes é preferível você está, entre aspas, aparentemente isolado, mas está linkado com o que há de melhor nessa energia indignada que está na sociedade brasileira porque só assim você pode ganhar e o povo ganhar junto. A pior coisa que pode acontecer para o eleitor é ele perceber que depois que elege mudou para pior. Para mudar pra melhor é preciso que em nome da defesa dos valores, como a questão ética, como a questão de focar o governo na direção dos que mais precisam, numa governança com mérito é preciso que a gente pague o preço na campanha.

Tribuna - Ex-governador de um estado nordestino, mas desconhecido na Bahia O que fazer para o senhor se tornar conhecido entre os baianos em tão pouco tempo?
Eduardo - Na verdade esse é o defeito que eu carrego. É exatamente isso que as pesquisas dizem. Apesar de ter sido líder partidário no Congresso Nacional, de ter sido governador por duas vezes, o mais bem votado numa reeleição na história do Brasil com 83% dos votos tendo terminado com a melhor avaliação entre os governadores, segundo o Data Folha. Mas eu creio que, quando o debate se iniciar, quando a televisão começar a levar a propaganda eleitoral, os debates, as pessoas não só vão conhecer o que fiz em Pernambuco, como o nosso programa de governo. Como a gente colocar o Brasil no caminho certo, como melhorar o Brasil que está aí com a inflação batendo a porta de volta, o Brasil que está com a taxa de juros mais elevada do mundo, o Brasil que vai ter nesses quatros do atual mandato da presidente Dilma com o menor crescimento da história republicana, como vamos colocar o Brasil para crescer com distribuição de renda, com sustentabilidade, como é que a gente vai fazer a escola integral um direito dos brasileiros, como vamos universalizar o acesso a creche, como vamos melhorar essa questão da segurança. Eu falo de duas coisas que eu fiz. A segurança pública tem um programa mais exitoso do Brasil, foi o estado que mais reduziu a violência no Brasil, segundo o Mapa da Violência divulgado na semana passada. Recebemos um prêmio da ONU. Temos o maior número de estudantes em tempo integral no Brasil, mais do que Rio de Janeiro e São Paulo. Estou falando de coisas que nós vamos poder fazer pelo Brasil inteiro, como a questão da melhoria do nosso SUS. Só nos últimos três anos, onze mil leitos foram fechados em hospitais credenciados ao SUS, no governo da presidente Dilma. Nós precisamos de mais recursos, mais gestão, mais formação de pessoas, abri mais vagas nos cursos de medicina nas escolas públicas pelo Brasil a fora, tratando a população com o respeito que ela merece.

Tribuna - O que fazer para diferenciar seu projeto do apresentado por Aécio e o PSDB?
Eduardo - Na verdade o nosso projeto é diferente de Aécio Neves, como é diferente do projeto de Dilma Rousseff. As nossas origens políticas são distintas. Nós participamos nas últimas décadas de todas as lutas comprometidas com a construção de um Brasil mais justo, que tivesse menos . desigualdade e que tivesse mais oportunidade. Fizemos um governo que fosse mais aberto a participação da população, um governo que usou métodos de gestão aprovados. O nosso modelo de gestão foi premiado pela Onu em 2012. É um programa que vê gestão popular, que foca os setores mais vulneráveis da população, faz uma grande aposta na educação, na ciência e tecnologia. Eu tenho clareza que a nossa diferença é a possibilidade que nós temos de unir o Brasil. Nunca o Brasil passou por uma mudança importante dividido e a opção PSDB- PT é a opção que divide o Brasil entre o nós e eles que já cansou. Nós precisamos unir o Brasil em torno de uma nova agenda para que o Brasil possa ser governado pelos sérios, capazes, comprometidos com a eficiência e não entregues as velhas alianças que terminam engolindo os governos. Vimos isso nos últimos vinte anos. O PSDB terminou o governo mal acompanhado. E agora o PT que está mal acompanhado em alianças com partidos que não têm compromissos com o que está sendo reivindicado pela sociedade brasileira.

Tribuna - Existe a possibilidade de a ex-senadora Marina Silva desistir da sua vice e ser apenas uma apoiadora junto a Rede, como foi especulado pela mídia nacional?
Eduardo - Não. De forma nenhuma. Desde que fizemos essa aliança que surpreendeu muita gente no Brasil, até porque muitos que não gostariam que houvesse uma opção como essa para que a sociedade voltasse a acreditar que é possível fazer política com decência. Não falta quem torça para que tudo dê errado. Se você observar todas as previsões negativas, no sentido de nos separar que fizeram nos últimos meses não deu certo. Mas a sociedade vai ver eu e Marina, unidos em torno de um programa, reunidos em torno de uma fé e uma crença, que vamos ser portadores da decisão do Brasil de mudar de verdade. Vamos botar essas velhas raposas na oposição, vamos mostrar que o fisiologismo e o patrimonialismo que hoje domina a política brasileira vai passar quatro anos na oposição porque é na oposição que poderá morrer. O Brasil vai ver gente séria e decente que tem história, compromisso, fazendo o Brasil melhorar de verdade, melhorar para os que mais precisam. E o nordeste brasileiro que foi fundamental na eleição da presidente Dilma, dando a diferença de votos, fazendo ela vencer do José Serra em 2010, não viu nesses três anos e meio esta mesma atenção da presidente para com o Nordeste. Não viu atenção na seca, não viu nesse baixo crescimento, nas obras que não saíram do papel. Eu conheço cada estado e vou fazer um governo que vai unir o Brasil, fazendo com o que o país perceba que o Nordeste não é problema, mas solução.

Tribuna - O que o senhor faria de diferente de Lula e de Dilma?
Eduardo - Eu acho que a gente tem que se livrar dessas alianças tronchas que terminam por corroer o sentido central dos governos. Aconteceu isso com Fernando Henrique, depois da busca do segundo mandato. Terminou que o governo Lula teve que fazer concessões, alianças, mas o fato é que o governo do presidente Lula entregou o Brasil melhor do que encontrou, com mais gente no mercado de trabalho, com mais estudantes nas escolas técnicas, com mais estudantes nas escolas universitárias, com programas sociais, o presidente Fernando Henrique também. Eu fui oposição a ele, mas justiça seja feita. Temos que ter capacidade para reconhecer. Ele deu sequência ao que Itamar fez, em termos de estabilidade econômica e entregou um país melhor do que encontrou. Agora a presidente Dilma é que não vai entregar um país melhor do que encontrou, mas pior do que encontrou. Alguns dizem que ela não teve capacidade, outros dizem que ela não pôde, que ela não soube. O fato é que estamos há quatro meses das eleições e o Brasil está pior do que em dezembro de 2010. O Brasil cresce menos, o juro real é mais alto, a violência é maior, o SUS está com dificuldade, na área de educação não houve avanços. O fato concreto é que depois de um ciclo de melhora, o Brasil vive um ciclo de piora com a presidente Dilma. E aí só tem uma saída: - é aquela máxima que escutamos nas ruas que o povo que vota é o mesmo povo que tira. Vamos pedir licença, deixar que se assuma um novo conjunto, que faça de outro jeito, deixando um país melhor ao cabo de quatro anos.

Tribuna - Qual a mensagem que o senhor deixa para os baianos?
Eduardo - A nossa expectativa é que possamos fazer um grande debate sobre o futuro do Brasil, não é possível que diante de tanta coisa errada fique simplesmente entregue a indignação e que não podemos participar. 

Com Informações Tribuna da Bahia

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