sexta-feira, 6 de junho de 2014

Em sabatina, Armando Monteiro promete choque de gestão e corte de secretarias em Pernambuco

Durante sabatina, Armando prometeu choque de gestão. Foto: Igo Bione/JC Imagem

O senador Armando Monteiro (PTB) fechou a série de sabatinas realizadas com os pré-candidatos ao Governo de Pernambuco, nesta quinta-feira (5). Ex-aliado do governador Eduardo Campos em seus dois mandatos à frente do Estado, o petebista não criticou diretamente o socialista. Sobre o rompimento de Campos com o PT, disparou: “Eu não me sentiria bem fazendo a desconstrução de um governo em que estive há bem pouco tempo. Eduardo critica Dilma, mas ele participou deste governo. Aqui não estamos desconstruindo um governo do qual participamos”, destacou. As declarações de Armando foram dadas durante sabatina promovida pela TV Jornal, em parceria com o Portal UOL e a Folha de S. Paulo.

Citando ainda o modelo de gestão utilizado no Estado de Minas Gerais, governado nos últimos anos pelo PSDB, o senador defendeu um corte na quantidade das secretarias caso seja eleito. Em novembro do ano passado, o então governador Eduardo Campos anunciou, no programa de Jô Soares, a extinção de algumas secretarias, no fim da gestão. Ao todo, sete das 28 pastas foram cortadas.

“Em Minas Gerais, por exemplo, são 17 secretarias”, exemplificou o senador, citando justamente o Estado cujo senador Aécio Neves – adversário do presidenciável Eduardo Campos – é o nome mais expressivo. O candidato, no entanto, não citou que pasta seria cortada.

Ao longo do debate, Armando buscou desconstruir o discurso do ex-governador Eduardo Campos, que, na sua avaliação, promoveu a criação de novas secretarias com o objetivo de “empoderar” algumas áreas dentro do governo. Para o pré-candidato, a maneira de priorizar determinadas áreas é através do aumento do orçamento.

Além do “enxugamento da máquina”, o senador propôs um choque de gestão e o corte na quantidade de cargos temporários. Armando reconheceu o mérito do conceito de governo adotado por Eduardo Campos, influenciado pelo modelo praticado na gestão privada.

“Me orgulho de ter apresentado esse conceito para o governo do Estado, mas as ações não foram verticalizadas. Isso ficou concentrado nas secretarias, mas não chegou aos órgãos do governo e não passou para os municípios, para elevar sua capacidade de gestão e poder atingir as políticas públicas”, comentou Armando. O grupo do senador esteve presente nos dois mandatos de Eduardo.

Dentro da lógica de não criticar diretamente o ex-aliado Eduardo Campos, para não perder votos, o senador Armando Monteiro Neto elogiou o Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM), mas alertou para a necessidade de monitorar o andamento dos projetos.

EDUCAÇÃO – Depois de ter criticado os gastos em educação, no final da sabatina, o candidato do PTB disparou a proposta de um projeto para a criação de uma FEM para a área de educação, reforçando o esforço dos municípios na área.

Armando também chegou a dizer que era simples melhorar o desempenho educacional do Estado, citando o exemplo do Estado do Ceará, que já foi administrado por um aliado do PSB. Armando Monteiro citou como exemplo medidas como mesma matriz curricular, processo de meritocracia na gestão, incentivo do estado para os municípios, com uma cota de ICMS vinculada à área.

INDÚSTRIA – O candidato do PTB ao governo do Estado também utilizou o espaço para prometer mais polos industriais. Fiel à estratégia de elogiar Eduardo Campos, o petebista começou por elogiar a decisão do ex-governador de tirar a Fiat de Suape e levar para Goiana, em função do adensamento do polo portuário.

No entanto, o petebista aproveitou o mote para defender a interiorização do desenvolvimento. Ele disse que as ações atuais param em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, e precisariam ser levadas a outras regiões, como Salgueiro, no Sertão, e Palmares. Para o candidato, em função da localização estratégica, as duas cidades poderiam receber polos de distritos industriais. No caso de Salgueiro, mais ainda, em função da implantação da ferrovia Transnordestina. No entanto, tudo isto precisaria ter a ajuda e articulação do governo Federal.

Na Região Metropolitana do Recife, o petebista disse que o Arco Metropolitano seria prioritário em sua eventual gestão.

“Temos que cobrar do governo federal. O projeto está atrasado. Sob pena de vermos os processos da Fiat vazarem para a Paraíba”, comentou.

A nova interligação rodoviária serviria para criar uma opção à sobrecarregada rodovia 101, sem passar pelo centro urbano do Recife. O anel chegou a ser desenhado pelo governo do Estado, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), mas o governo Dilma tomou para si, há um ano atrás, sem ter prazo para tirar do papel.

Quando foi instado a falar de incentivos fiscais, o senador do PTB disse que seria preciso acabar com a guerra fiscal, mesmo reconhecendo a força dos Estados para não perder a força do ICMS como oferta de benefícios. Rapidamente, o petebista aproveitou o mote para defender sua atuação na defesa das micro e pequenas empresas, reclamando do mecanismo de substituição tributária que penaliza o capital de giro das empresas.

Numa crítica indireta a Paulo Câmara, ex-secretário da Fazenda e seu adversário na corrida eleitoral, Armando Monteiro defendeu a criação de um ambiente melhor para as pequenas empresas e informou que uma revista inglesa de economia classificou Pernambuco, no Nordeste, como o pior ambiente para essas empresas.

FISCALIZAÇÃO - O candidato do PTB sugeriu ainda a criação de agências reguladoras para acompanhar, por exemplo, a implantação das Organizações Sociais (OS) na área de saúde. “O Estado tem que ter controle e acompanhamento. Temos que ter uma agência para ver se as OS estão oferecendo um bom atendimento”, afirmou. Como aliado dos socialistas, o PT e o PTB nunca questionaram a implantação do modelo de saúde do governo Eduardo Campos, que criou novos hospitais e UPAs com o modelo de gestão privado.

Na sabatina, ainda colocando sob suspeição o sucesso do modelo de gestão socialista, o petebista criticou, com diplomacia, o insucesso das PPPs para a implantação de um sistema penitenciário em Itaquitinga, na Mata Norte. O candidato recorreu a Minas Gerais como exemplo de sucesso, com três unidades tiradas do papel por meio de PPPs. “Não distratamos a PPP. Insistimos no contrato, porque não se queria sancionar o prejuízo. Está na hora de assumir, acionar a empresa e oferecer uma saída (para concluir a obra)”, afirmou.

Por Marcela Balbino

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