sábado, 14 de junho de 2014

No Recife, Dilma diz que perdoa agressões e não vai deixar que ódio entre em seu coração


Com a presença do ex-presidente Lula, a presidente Dilma aproveitou o Encontro Estadual do PT, em uma casa de recepções no centro do Recife, nesta sexta-feira, para responder, pela segunda vez, durante o dia, as manifestações de desagrado que recebeu na abertura da Copa do mundo, nesta quinta-feira. No evento, a presidente classificou ainda a reação de parte do público presente no Itaquerão como lamentável e que envergonharia o Brasil no mundo.
“Serena mesmo, podem ter certeza, eu digo a vocês que não me abato com isto. Posso ficar triste porque o Brasil não merece isto. Já aguentei muita coisa, tortura. Não mudei de lado, nem sai querendo acabar as pessoas com revanchismo. Quem perdoa, ganha. Não é esquecer, não é aceitar que se repita ou compactuar. Só não se pode deixar que entre em nosso coração o veneno do ódio”, declarou.

Na primeira fala do discurso, Dilma já dizia que “nós não destilamos ódio e essa é nossa diferença para eles”.

Misturando em uma mesma analogia futebol e política, a presidente afirmou que iria vencer as eleições deste ano usando como exemplo a Vitoria da seleção brasileira contra a Croácia. “O melhor gosto do mundo é a virada. Nós estamos fazendo isto há 11 anos neste país e vamos fazer nesta copa e com o Brasil”, afirmou exaltando do clima de alegria e torcida dos brasileiros, em contraposição aos pessimistas, que diziam que não haveria estádios prontos, não haveria aeroportos, ou até mesmo energia.

Mais cedo, em Brasília, a presidente Dilma já havia dito que não se abatia com as críticas ou vaias. Antes de chegar ao Recife, Dilma diz em Brasília que não se intimida com vaias

No evento, Dilma disse acreditar que a campanha eleitoral deste ano será dura e que os adversários vão se desesperar mais ainda. Aconselhada por Lula, no ato, a ser a Dilminha Paz e Amor, ela observou que no mesmo recado Lula lhe pediu que não levasse desaforo para casa. “Tudo isto acontece porque os nossos adversários não tem propostas concretas para o Brasil. Qual é a alternativa? Eles subestimam a inteligência do povo brasileiro e agem como se o Brasil não tivesse memória. Eles foram contra o Bolsa família, contra o subsídio no Minha Casa, Minha Vida”, declarou.

Na avaliação de Dilma, ela foi vaiada pela parte mais conservadora da população.

“Apesar de todo mundo ter ganho (no governo Lula e dela), os mais pobres ganharam mais. No mundo, é o contrário que está acontecendo. Por isto, não somos gostados por uma parte muito conservadora de nossa população. Como redistribuímos renda, a escada da ascensão social aumenta. Gente que subia por essa escada, aqueles que antes estavam acostumados a desfrutar sozinhos, estão sendo obrigados a dividir aeroportos e restaurantes. Nós acertamos em reduzir as desigualdades e incluir as pessoas”, gabou-se.

Nesta parte, Dilma repetiu o que Lula havia dito minutos antes, em sua fala, no mesmo ato.
Como exemplo, Dilma citou que, em 2002, 170 milhões de brasileiros não podiam andar de avião e apenas 33 milhões tinham essa condição. Hoje, 113 milhões de brasileiros teriam adquirido essa condição. “Um elefante incomoda muita gente … 200 milhões incomodam muito mais”, disse.

No final de sua fala, a presidente fez ainda uma defesa da instituição, por decreto, de conselhos participativos, criticados pela oposição no Congresso. “No momento em que o Brasil se mobiliza por mais democracia, nós apoiamos os conselhos participativos. Não temos medo desta participação. Outros países também contam com esses conselhos”, afirmou.

O evento também contou com a participação do presidente nacional do PT, Rui Falcão, dos senadores Armando Monteiro (PTB) e Humberto Costa (PT), além de parlamentares, como o deputado federal João Paulo (PT).

Depois do encontro com a militância, a petista seguiu para um jantar na casa do empresário Armando Monteiro Neto, na praia de Boa Viagem. O ex-presidente Lula também está na lista de convidados.

Lula vê cretinice

O ex-presidente Lula aproveitou seu discurso no evento do PT para defender Dilma das vaias que tomou na abertura da Copa. “Foi falta de respeito. Ato de cretinice com o povo. A nossa vitória será a nossa vingança”, afirmou. Em dado momento, já havia dito que ela havia sido eleita sem ser conhecida e que agora ganharia mais quatro anos.

No final da fala, Lula pediu que ela não perdesse o humor, pois tudo que eles querem é que você fique com raiva. ‘Deixe eles com raiva não ficando com raiva”.

No mesmo trecho da fala, o ex-presidente ofereceu o que chamou de desagravo pela ofensa de ontem. Lula entregou uma rosa branca, que simbolizaria a paz. No momento, voltou a campanha de 2010 e lembrou que havia lhe dado uma rosa então, depois de ter sido ofendida por Willian Bonner, da TV globo. O apresentador foi incisivo em uma entrevista com Dilma e Lula toda vez que tem oportunidade critica o jornalista.

Com Informações do Jamildo Melo

0 comentários:

Postar um comentário

Serão aceitos apenas comentários com indenficação verdadeira