quarta-feira, 2 de julho de 2014

Secretário reafirma diálogo para negociação sobre Projeto Novo Recife



Para reafirmar que o diálogo como caminho para o processo de negociação sobre o redesenho do Projeto Novo Recife, o secretário de Desenvolvimento e Planejamento Urbano do Recife, Antônio Alexandre, realizou uma coletiva de imprensa após a saída dos ativistas do Ocupe Estelita da sede da Prefeitura, no Centro, nesta terça-feira (1º), dia em que foi publicada no Diário Oficial a convocatória para a primeira audiência pública sobre o assunto.

Representantes do movimento têm reunião marcada com o prefeito Geraldo Julio (PSB) para esta quarta-feira (2). Segundo o secretário, o objetivo é estabelecer a primeira etapa de construção das diretrizes urbanísticas do projeto. O Ocupe Estelita será o primeiro a ser ouvido e depois haverá encontros com o Consórcio Novo Recife e com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). “Não vamos jamais construir a unanimidade, mas devemos, poderemos e vamos conseguir construir um consenso”, afirmou Antônio Alexandre.

OPINIÃO: Na PCR, Ocupe Estelita questiona autoridade de Geraldo Julio

O encontro desta quarta foi marcado durante uma reunião de cinco horas entre uma comissão dos manifestantes e os secretários Jayme Asfora (Juventude e Qualificação Profissional), Eduardo Machado (Segurança Urbana) e Gabriel Leitão (Governo e Participação Social), ainda na noite dessa segunda-feira (30). Os secretários receberam os representantes do Ocupe Estelita, embora comunicado da Prefeitura afirmasse que a condição para isso era a desocupação do hall do prédio, onde foram montadas barracas horas antes.

O dia foi de impasses. Os manifestantes chegaram ao local por volta das 9h e iniciaram a ocupação simultaneamente à quinta rodada de negociação do Novo Recife, uma reunião realizada entre o prefeito, secretários municipais e as entidades que mediam a tentativa de acordo: OAB, UFPE, Unicap, IAB, CAU, Crea e Observatório do Recife. O Ocupe Estelita reivindicava participação no processo e solicitava a troca da mediação da PCR para o Ministério Público.

Em resposta, Antônio Alexandre ratificou, durante a coletiva de imprensa, que continua com o Executivo municipal. “A responsabilidade pelo ordenamento do planejamento urbano é da Prefeitura e é por isso que o prefeito vem pessoalmente coordenando esforços”, disse. O MPPE será o terceiro grupo recebido para o estabelecimento da pauta da audiência pública, marcada para o dia 17 deste mês, às 14h, no Auditório Maria José Torres, da Fafire, na Avenida Conde da Boa Vista.

Contra o projeto que prevê 12 torres de aproximadamente 40 andares no terreno no Cais José Estelita, os manifestantes afirmam que reconhecem a audiência pública como mecanismo para ouvir a sociedade civil, porém disse temer que seja feita num formato que apenas apresente o projeto como está e vá debater o resenho ou ações mitigatórias, atualmente previstas em R$ 62 milhões.

No último dia 16, antes da polêmica reintegração de posse do terreno, quando ativistas e políticos consideraram violenta a ação policial para expulsar os ocupantes, havia sido definido em encontro entre a Prefeitura e as entidades um prazo de 30 dias para a audiência. Depois dela, o Consórcio Novo Recife terá mais um mês para modificar o projeto com base no que for decidido.

O encontro entre o prefeito e as entidades nessa segunda-feira, interrompido pela ocupação do hall da PCR, era o primeiro desde a reintegração de posse e tinha como objetivo realinhar esses prazos protocolados.

A suspensão do encontro foi feita por orientação das próprias entidades, que sugeriram ao prefeito receber os manifestantes ainda na segunda-feira, desde que deixassem o prédio. A condição não foi aceita e os manifestantes continuaram no local. Em meio à discussão, duas cascas de banana foram jogadas no secretário Jayme Asfora, que na hora ficou visivelmente irritado, mas depois amenizou dizendo que a atitude não representa todo o movimento e até que comeria a banana, se estivesse inteira.

À noite, recebidos pelo mesmo secretário, foram avisados de que a ordem de desocupação, assinada pelo juiz Rosalvo Maia Soares, da comarca da capital, havia sido expedida. Os ativistas dormiram no local e teriam até as 14h desta terça-feira para deixar o prédio.

Em assembleia realizada nesta manhã, decidiram que só sairiam com a apresentação do documento por um oficial de justiça. No entanto, no momento em que o secretário de Segurança Urbana, Murilo Cavalcanti, desceu e leu uma nota enviada à imprensa, já haviam desmontado as barracas e recolhido os pertences. Eram aproximadamente 16h quando realmente desocuparam o hall da PCR.

Antes disso, no streaming live, era percebido o temor de alguns com um possível uso da Polícia Militar para o cumprimento da ordem de desocupação. Chamavam atenção para o bloqueio do tráfego de veículos desde a Ponte do Limeiro e a liberação dos servidores. A última foi classificada por Antônio Alexandre como medida de cautela. “Tínhamos que garantir e preservar a integridade de todas as pessoas que, por uma razão ou por outra estavam no prédio, sejam os funcionários ou o cidadão que vem aqui buscar serviços”, alegou.

O encontro com a PM foi muito depois, mas foi pacífico. Após sair da PCR, os ativistas saíram em marcha pelo Centro da capital pernambucana até o viaduto Capitão Temudo, para onde transferiram o acampamento após a reintegração de posse do terreno no José Estelita para o Consórcio Novo Recife. Passando próximo ao Cais da Alfândega, onde é realizada a Fifa Fan Fest Recife, encontraram a cavalaria da polícia bloqueando o acesso ao espaço e gritaram contra a entidade de futebol. Saindo de lá, seguiram pela Avenida Dantas Barreto, passando pelo Forte das Cinco Pontas.

Deixaram no Cais do Apolo recados para Geraldo Julio pintados no chão. “A cidade não está à venda, prefeito capacho de empreiteira” é um reflexo do contorno político que o movimento ganhou, com críticas principalmente aos socialistas, desde o chefe do Executivo municipal até o governador João Lyra (PSB), passando por Eduardo Campos (PSB). Candidato a deputado estadual pelo PSOL, Edilson Silva chegou a dizer, nessa segunda-feira, que infernizaria a vida política de Geraldo Julio. A militância afirma não confiar no processo de negociação do prefeito.
 
Com Informações do NE10

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