quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Morte de Campos deve tornar instável corrida presidencial, avaliam analistas

A morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, deve gerar instabilidade na disputa pela Presidência da República, avaliam especialistas ouvidos pelo G1. Na visão de cientistas políticos, o eventual ingresso na corrida presidencial da ex-senadora Marina Silva, candidata a vice na chapa de Campos, pode atrair parte do eleitorado que ainda não decidiu em quem votar. Na mais recente pesquisa Ibope de intenção de voto para presidente, divulgada no dia 7, Campos tinha 9% – atrás de Dilma Rousseff (PT), com 38%, e Aécio Neves (PSDB), com 23%. Os indecisos eram 11%. OPSB tem dez dias para indicar um novo candidato.

Ex-governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Campos morreu na manhã desta quarta-feira (13), aos 49 anos, após o jato particular em que viajava cair em um bairro residencial de Santos, no litoral paulista.

Professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer disse que a eventual entrada de Marina Silva na disputa pelo Planalto, no lugar de Campos, poderá “complicar a vida” da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, e do candidato do PSDB, Aécio Neves.

Para o especialista, a ex-senadora seria capaz de captar mais votos do que presidenciável do PSB nessa altura da campanha. Na eleição preidencial de 2010, Marina obteve cerca de 20 milhões de votos, terminando na terceira posição.

“A Marina tem reconhecimento dos seus eleitores de 2010 e é um ícone nacional e internacional na área de meio ambiente. Por isso, inclusive, que Campos estava viajando tanto, para ser conhecido, coisa que a Marina já era”, observou

Maria do Socorro de Sousa Braga, professora do curso de Ciência Política da Universidade de São Carlos, avalia que a eleição presidencial deve ficar "muito mais acirrada" se Marina for oficializada como candidata da coligação liderada pelo PSB. Ela afirma que a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente pode ameaçar, principalmente, a candidatura de Aécio.

"O emocional é muito forte no Brasil. Mas tudo vai depender de como a equipe de marketing eleitoral do PSB vai trabalhar esse episódio [a morte de Campos]. Ela [Marina] tem tudo para atrair esse campo desgostoso de PT e PSDB, ameaçando especialmente o PSDB", ressaltou. "A possibilidade de Marina assumir a candidatura à Presidência juntaria sua força eleitoral mais o sentimento de tristeza criado com a perda de uma liderança em crescimento." Ricardo Antunes, professor de Sociologia Política da Unicamp

O professor de Sociologia Política da Unicamp Ricardo Antunes também avalia que o eventual ingresso de Marina na eleição presidencial pode alterar significativamente o atual tabuleiro eleitoral, em razão do capital político que ela acumulou na última disputa pelo Planalto. Segundo ele, se a ex-senadora for indicada para a cabeça de chapa, ela já dará largada na campanha em um patamar superior ao de Campos.

Por outro lado, Antunes acredita que se Marina não aceitar a missão ou se o PSB optar por outro candidato, aumenta a chance de a eleição ser definida ainda no primeiro turno.

Para o professor da Unicamp, "a possibilidade de Marina assumir a candidatura à Presidência juntaria sua força eleitoral mais o sentimento de tristeza criado com a perda de uma liderança em crescimento", disse Antunes.

O professor de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) Hermílio Santos afirmou que o episódio da morte de Campos vai provocar instabilidade e incerteza para a corrida presidencial.

Efeito Marina
Para a professora de Ciência Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Vera Chaia, a saída de Campos da corrida presidencial altera "bastante" o cenário eleitoral.

De acordo com a cientista política, o presidenciável tinha uma característica que nenhum outro candidato tem. “Ele era conciliador, moderador e tinha grande penetração em todos os partidos e meios políticos”. As posições de Marina em relação ao agronegócio e às políticas ambientais, por exemplo, poderão “radicalizar” o ambiente eleitoral, conforme Chaia.

Para a professora de Sociologia da Universidade de São Paulo Maria Victória Benevides, pode haver um “estremecimento” na campanha do PSB porque, segundo ela, “o programa e as ligações políticas de Eduardo Campos não são exatamente os mesmos compromissos de Marina, principalmente em relação a agronegócio, sustentabilidade e questões de família e religião, devido à militância evangélica de Marina”.

0 comentários:

Postar um comentário

Serão aceitos apenas comentários com indenficação verdadeira