quarta-feira, 18 de março de 2015

Datafolha mostra sangramento acelerado de Dilma

O governo Dilma sangra muito rapidamente. A insatisfação com o governo atingiu com força o eleitorado que reelegeu a presidente Dilma Rousseff há apenas 5 meses.

A pesquisa do Datafolha feita após as manifestações mostrou que, em pouco mais de um mês, entre o início de fevereiro e esta semana de março, a taxa de ruim/péssimo de avaliação do governo foi de 44% para 62% _um acréscimo de 18 pontos percentuais negativos. O índice regular passou de 33% para 24% _mais nove pontos percentuais de piora. E a avaliação ótima ou boa perdeu dez pontos percentuais, caindo de 23% para apenas 13%.

Os números encerram a discussão a respeito da natureza dos protestos de domingo, se eles foram apenas de tucanos ou o reflexo de uma desilusão generalizada. Quem foi à rua no domingo, sobretudo em São Paulo, é de um segmento tucano que demonstrou capacidade de mobilização. Mas o Datafolha deixa claro que se trata de um sentimento de reprovação ao governo que atinge todos os segmentos da população.

Não é mais uma uma discussão eleitoral. Até porque, se houvesse eleição hoje, Dilma não seria reconduzida. Portanto, o governo tem de avaliar e entender o que fez de errado de outubro para cá para chegar a essa situação.

As más notícias na economia certamente foram a maior causa da perda de popularidade, mas os erros políticos da presidente agravaram a intensidade da queda. Ontem, o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgou um documento da Secom, a Secretaria de Comunicação Social, comandada pelo ministro Thomas Traumann, que faz um diagnóstico correto de erros do governo e propõe uma estratégia de saída da crise.

O governo não tem um problema de comunicação. Tem um problema de articulação política e de gestão da crise econômica. Por tabela, errou na comunicação. É mais grave do que se comunicar mal. Dilma governou mal no primeiro mandato, quando exagerou na dose na expansão de gastos públicos e no pouco rigor no combate à inflação.

Para piorar a perspectiva do governo, mais notícias ruins na economia ainda vão chegar, porque ainda serão sentidos efeitos negativos do ajuste econômico antes de a situação começar a eventualmente melhorar.

O governo precisaria amenizar a crise política para tirar pelo menos um dos bodes da sala. E aguardar que dê certo a aposta econômica. O problema é que há uma Lava Jato no meio do caminho. E o cerco ao PT se fecha.

É incrível que o partido ainda esteja discutindo se o tesoureiro João Vaccari Neto vai se afastar ou não do cargo. Já deveria ter se afastado faz tempo, diante do que vem surgindo nas investigações da Operação Lava Jato. Não dá para deixar cuidando do cofre do partido quem está respondendo a tantas suspeitas e acusações.

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Pressão para radicalizar

A oposição adotou uma estratégia arriscada e subiu o tom porque quer ficar em sintonia com o sentimento de desaprovação ao governo, mostrado na pesquisa Datafolha divulgada hoje. .

Após os protestos de domingo, os partidos oposicionistas têm sido cobrados, sobretudo nas redes sociais, a serem mais duros em relação à presidente Dilma. Daí a decisão do PSDB e de outras legendas de pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a presidente possa ser investigada.

A oposição alega que fatos sobre o tesoureiro João Vaccari Neto e a campanha eleitoral de 2010 justificariam o pedido. No entanto, o procurador-geral, Rodrigo Janot, e o ministro do STF, Teori Zavascki, já decidiram que a presidente não pode ser investigada por atos alheios ao atual mandato.

Janot também não viu indícios suficientes contra a presidente. Ontem mesmo o ministro Zavascki derrubou um pedido do PPS para Dilma ser investigada, apontando erros formais e de competência no documento. Zavascki disse ainda que os partidos não têm legitimidade para acusar Dilma perante o Supremo, apenas o Ministério Público Federal possui tal prerrogativa.

Portanto, é arriscada a estratégia do senador Aécio Neves e do PSDB. Se houver uma nova negativa de Zavascki ou uma manifestação contrário do plenário do Senado, será uma derrota da oposição que poderá dificultar ainda mais o eventual caminho jurídico do impeachment.

Mas o gesto pega bem perante parte da torcida numa hora em que Dilma está no seu pior momento.

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