quarta-feira, 15 de junho de 2016

Presidente do Corinthians anuncia que Tite é o novo técnico da Seleção Brasileira


Adenor Leonardo Bacchi, gaúcho de Caxias do Sul, foi um volante quase obscuro, embora tenha sido vice-campeão brasileiro dois anos seguidos (1986 e 1987). Ainda por cima teve que parar cedo. Aos 28 anos, as sucessivas lesões no joelho o obrigaram a se aposentar. Ou viraria empresário ou técnico. Escolheu a segunda opção para felicidade da torcida do Corinthians e agora, de todo Brasil, já que seu, nome, praticamente uma unanimidade no País, foi anunciado nesta quarta-feira (15) como técnico da Seleção Brasileira em substituição a Dunga. O anúncio coube ao presidente do Corinthians, time ao qual ele estava ligado. Ele nem comanda o time alvinegro no próximo jogo. Junto com ele vão o auxiliar Cléber Xavier, o analista de desempenho Mateus (filho do técnico) e o diretor de futebol Edu Gaspar. Ele mantém uma dinastia gaúcha na Canarinha, já que teve como antecessores Dunga, Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes, todos nascidos no Rio Grande do Sul.

"Estou puto com a CBF com a maneira com que tiraramTite daqui. Não recebi um telefonema da CBF. Isso mostra o respeito que eles têm. Não estão acostumados a agir com gente com ética pela forma sorrateira como eles fizeram com a contratação do Tite", esbravejou o dirigente corintiano na coletiva.

Como jogador, Tite defendeu apenas quatro equipes - Caxias, Esportivo, Portuguesa e Guarani. Foi estudar e formou-se em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Em 1990 treinou seu primeiro time, o Guarany de Garibaldi-RS. Perambulou por várias equipes intermediárias do Rio Grande do Sul durante dez anos, nesse ínterim, chamando a atenção pela primeira vez em 2000, quando, à frente do Caxias, conquistou o Campeonato Gaúcho em cima do Grêmio, que contava com ninguém menos que Ronaldinho.

O trabalho chamou a atenção justamente da vítima. No ano seguinte ficou técnico do Tricolor Gaúcho, inclusive 'redimindo-se' do castigo: foi campeão em 2001 e ainda garantiu como bônus a Copa do Brasil, superando o Corinthians nas finais com um empate por 2x2 no Olímpico e a vitória por 3x1 no Morumbi. Ainda ficou mais dois anos no Grêmio, quando saiu para comandar o São Caetano.

Assumiu o Corinthians pela primeira vez no Brasileiro de 2004. O Timão flertava com o rebaixamento mas recuperou e terminou em quinto lugar. Saiu em 2005 quando o Alvinegro passou a ser comandado pelo Grupo de Investimento MSI. Ele não se entendeu com o executivo Kia Joorabichian. Transferiu-se para o Atlético Mineiro, que ia mal no Brasileirão. Saiu antes do fim do Campeonato. No fim do ano o Galo seria rebaixado. A nova intervenção como bombeiro seria no Palmeiras, que já estava na zona de degola em 2006. Depois de sete vitórias, cinco empates e apenas uma derrota desentendeu-se com o diretor Salvador Hugo Palaia e foi demitido.

NAS ARÁBIAS - O ano de 2007 marcou a primeira incursão do técnico no mundo árabe. Depois de seis meses voltou por não concordar com interferências de dirigentes. Um desafio maior viria em 2008 ao assumir o Internacional. A contratação não foi bem vinda pela torcida pelo passado de sucesso no grande rival Grêmio. Mas em campo ele calou a boca dos hostilizadores ao deixar o Colorado em sexto lugar no Brasileiro e conquistar a Copa Sul-Americana. De quebra deu um Campeonato Gaúcho em 2009 justamente em cima dos gremistas. Perderia as copas do Brasil e Libertadores, para Corinthians e LDY, respectivamente.

Saiu do Inter em outubro de 2009 e tentou a sorte outra vez nos Emirados Árabes, desta vez no Al-Wahda em agosto de 2010. Comandou a equipe em apenas cinco partidas, pois o Corinthians o chamou para substituir o demitido Adilson Batista. Não perdeu nenhum jogo naquele restante de Brasileiro mas ficou com o terceiro lugar, garantindo uma vaga na pré-Libertadores.

ASCENSÃO - O caminho de Tire rumo à consagração definitiva começou da pior forma possível. Com um empate em São Paulo (0x0) e uma derrota na Colômbia (2x0) para o modesto Tolima, o Corinthians não conseguiu chegar à fase de grupos da competição continental - até então a maior obsessão dos corintianos e motivo de muita zoeira pelos rivais. A demissão era dada como certa, mas o então presidente Andrés Sanchez manteve o comando. Essa derrota, no entanto, provocou a debandada de estrelas da equipe, como Ronaldo Fernômeno e Roberto Carlos, além de Bruno César, Dentinho e Jucilei.

Tite remontou o time mas perdeu o Paulista para o Santos. No Brasileiro entrou de forma arrasadora, com nove vitórias e um empate nos dez primeiros jogos. Mesmo liderando, o treinador chegou a sofrer pressão da torcida nos momentos de oscilação. Chegou na última rodada com 70 pontos, dois a mais que o Vasco. O último adversário era o Palmeiras, jogo no dia em que Sócrates, um dos maiores ídolos da história do clube, morreu. O 0x0 deu o quinto Brasileiro ao clube.

O que era bom ficou ainda melhor no ano seguinte. A campanha na Libertadores foi invicta, com direito a eliminar Vasco nas quartas e Santos na semifinal. A decisão foi contra ninguém menos que o Boca Juniors. Depois do empate no La Bombonera (1x1), vitória segura por 2x0 Pacaembu e, finalmente, a taça receberia a placa com o nome do Corinthians. Com o foco voltado para a Liberta, o Brasileiro ficou em segundo plano. Ainda assim terminou em sexto lugar. No final do ano estava reservada mais uma alegria: uma vitória por 1x0 sobre o Chelsea deu o título mundial ao time paulista.

Apesar de frustrado o sonho do bi na Libertadores em 2013, o técnico ainda acrescentou mais dois troféus à galeria corintiana: a Recopa Sul-Americana, conquistada em cima do São Paulo e o Paulista, superando o Santos. No entanto, a ausência da vaga no torneio continental foi demais e ao fim do Brasileiro não teve seu contrato renovado. No ano da Copa do Mundo ficou afastado das funções, dedicando-se à família e, principalmente, ao estudo do futebol. Seu nome foi cogitado para substituir Felipão após o vexame na Copa do Mundo, mas a CBF preferiu Dunga. "Não sei o critério que foi feito", disse.

Depois do Brasileiro de 2014 aceitou voltar para o Corinthians. As eliminações nas oitavas da Libertadores e nas quartas do Paulistão não o derrubaram e, muito por conta disso, o Timão venceu o Campeonato Brasileiro até com relativa facilidade. Essa conquista levou os jornalistas Eduardo Scolese e Leandro Colon a assinarem um artigo na Folha de São Paulo com o seguinte título: 'Só os operários que fundaram o Corinthians estão cima de Tite'.

"Não há, desde 1º de setembro de 1910, jogador, dirigente ou treinador que tenha um papel tão relevante como ele em termos de conquistas.", escreveram. As informações são do NE10.

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