terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Febre amarela: no Recife, médicos serão capacitados para identificar possíveis casos


O aumento do fluxo de turistas no Carnaval leva a Secretaria de Saúde do Recife a iniciar, na próxima semana, uma capacitação sobre febre amarela com os médicos que atendem nas policlínicas do Recife. “O objetivo é levar informações a esses profissionais de saúde sobre uma doença com a qual não estão acostumados a lidar no dia a dia. Turistas que apresentarem sintomas de febre amarela poderão procurar essas unidades de saúde”, diz o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. Ontem o Brasil ultrapassou a marca de mil casos notificados de febre amarela este ano, segundo o Ministério da Saúde.

As orientações serão repassadas especialmente a quem trabalha nas policlínicas que funcionam 24 horas por dia, como a Amaury Coutinho (Campina do Barreto), Agamenon Magalhães (Afogados), Barros Lima (Casa Amarela) e Professor Arnaldo Marques (Ibura), além do Hospital Pediátrico Helena Moura (Tamarineira). Essa capacitação chega para fortalecer a ação educativa anunciada na última semana pelo secretário, que confirmou a distribuição de fôlderes, durante o Carnaval, sobre sinais e sintomas da febre amarela. O material, confeccionado pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer, será disponibilizado nos Centros de Atendimento ao Turista nos dias de Momo.

Diante do mapa de avanço da febre amarela no Brasil que levou a aumentar as áreas nas quais se exige vacinação, pesquisadores e autoridades de saúde não ignoram o risco de a doença voltar a ser transmitida pelo Aedes aegypti, o que não acontece desde 1942. A infestação de extensas áreas do Brasil pelo mosquito traz a possibilidade de restabelecimento do ciclo urbano de transmissão do vírus da febre amarela, conhecido como amarílico. “O surto atual de febre amarela (ciclo silvestre) tem se ampliado, e há o risco potencial de reurbanização, mas não é iminente. Estamos passando por uma fase de controle do vetor (Aedes), mas é bom lembrar que isso geralmente não é duradouro”, ressalta a infectologista Vera Magalhães, professora da Universidade Federal de Pernambuco.

Pernambuco continua sem casos. Ao ser levantada a hipótese de o ciclo urbano do vírus amarílico se tornar uma realidade devido ao aumento do fluxo de pessoas na capital durante a folia, Jailson Correia explica que o risco de reurbanização da doença teoricamente exige mais do que casos pontuais pela cidade. “Precisaria de várias pessoas infectadas em circulação e também da capacidade de o Aedes transmitir febre amarela nos centros urbanos, o que não se vê no Brasil desde 1942. Mas não podemos afastar a possibilidade diante da situação (epidemia) que o Brasil passa”, ressalta o secretário.

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